terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um dia de mim


Acordei sonolenta,
Não tinha vontade de sair da cama.
Fiz um esforço além de mim e levantei.
Tomei um banho demorado,
Estudei como montar personagens e como escrever um livro, talvez um dia eu escreva um.
Não gostei da forma que o professor pediu para montar meus personagens... Muita coisa não uso! Sempre criei meus personagens e minhas histórias sem essa tal técnica chata que ele ensinou.
Almocei, repeti o prato uma vez!
Assisti a dois filmes durante a tarde.
Tomei café com leite e comi pão com manteiga e mel.
Adoro molhar o pão no café, faço isso desde criança. Tem gente que fala que isso é falta de educação, mal educados são eles que dão palpite sobre as coisas.
Continuo molhando o pão no café porque fica mais gostoso!
Me arrumei pra ir trabalhar, ainda sem vontade de sair de casa.
Peguei o ônibus porque estava chovendo. Ainda tive que caminhar dez minutos.
Cheguei ao trabalho, estava sem vontade de estar lá, não queria olhar para ninguém, estou com TPM.
Liguei pro meu namorado,
Chorei!
Tentei estudar,
Tentei escrever,
Tentei ver TV,
Resolvi dormir...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Perdida em mim


Palavras flutuam em frente aos meus olhos,
Segredos povoam meus pensamentos.
Sussurros ensurdecem meus ouvidos,
Acontecimentos cegam meus olhos,
Atam minhas mãos,
E emudecem minha fala.
Me enchem de maldade a alma
Por que pensar? Por que existir?
Se não posso sair de mim e entrar em ti?

Vazio da noite


No meio da noite
Um vazio me consola.
Nenhum pensamento povoa a mente,
Os olhos estão inquietos,
As mãos trêmulas...
A boca calada e o coração vazio.
Nenhum barulho,
Nem mesmo um simples sussurro.
Nada!
Somente o silêncio da noite
E a mudez profunda que habita meu peito.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Menino que Contava Estrelas


Em uma cidadezinha pacata do interior do Rio Grande do Sul morava um jovem rapaz com um sonho que dominava todas as artérias de seu corpo em determinados momentos ao longo do seu dia. Seus olhos ganhavam vida e um brilho intenso quando o enorme pássaro voava naquele pedacinho esquecido do céu. O garoto os contava um a um quando passavam por cima de sua cabeça. E à noite, deitava-se na rede da varanda da casa de seus pais para ver se, por sorte, algum deles voaria por ali em algum momento. Era uma noite de verão, com o ar morno e uma leve brisa que soprava para refrescar. E lá estava ele mais uma vez deitado na rede em sua varanda, olhando fixamente o céu. Será que contava estrelas? Na realidade estava esperando o momento que mais lhe encantava, quando um avião passava no céu de sua cidade, com suas luzes trilhando seu trajeto na imensidão. Era como se estivesse vendo uma estrela cadente movendo-se rápido pelo céu e ele sempre fazia um pedido, sempre o mesmo “quando crescer quero ser piloto de avião!” desejava. Marcava um traço em seu caderno cada vez que avistava algum pássaro de lata passando. Infinitas noites estreladas, algumas vezes uma ou outra nuvem repousava naquele manto negro, e uma lua brilhante hipnotizava os olhos. Quando chovia e o céu ficava totalmente fechado pelas nuvens cinzas e negras, o garoto sentia-se a pessoa mais infeliz do mundo, pois não conseguia avistar o seu fiel amigo, o avião.Não possuía muita idade, mas quando alguém lhe perguntava o que gostaria de ser quando adulto, ele tinha a resposta na ponta da língua: “piloto de avião!” dizia entusiasmado. Queria poder estar sempre junto ao seu futuro amigo, no momento tão desconhecido. Queria poder contar as estrelas de perto, conhecer lugares distantes do seu pequeno mundinho interiorano. Sua vontade aumentava a cada dia, e o jovem garoto vinha algumas vezes para a capital, porém, apesar de algumas tentativas, não conseguia se adaptar. Mas quando retornava à sua cidade natal, era como se o seu coração estivesse parado e sem vida. Estar em sua cidade significava ver cada vez mais longe o seu objetivo, o seu desejo ficava cada vez mais distante, era como afastar-se a cada minuto infinito do seu maior sonho, o de voar em um céu sem fim.Todos o chamavam de louco, o que ele esperava de uma profissão que em muitos momentos mostrava-se ingrata, que poderia terminar com sua vida como tantos outros? Abandonar a família, os amigos, viver numa cidade grande como Porto Alegre era um desafio mais do que doloroso ao pobre rapaz. Mas assim ele decidira, queria conquistar o amigo pássaro assim como o companheiro céu azul.Ao completar 18 anos, mudou-se definitivamente para Porto Alegre, pois havia ganho uma bolsa de estudos no Aeroclube do Rio Grande do Sul. Estava, agora, um pouco mais perto de conquistar seu sonho real de menino. Mas ele não sabia que haveria tanto esforço pela frente, afinal, dominar o tão sonhado avião não era nada fácil. Todas as horas incansáveis de estudo e dedicação ainda era muito pouco em relação a tudo o que precisaria fazer para realizar seu ideal e chegar cada vez mais perto de um futuro amigo, o grande gigante dos céus. Nunca havia ficado longe da família e dos amigos, nunca estivera tão perto de desconhecidos, nunca havia sido tão destratado em alguns momentos, nunca tivera de se esforçar tanto, nunca imaginara que houvesse tantas dificuldades, nunca quisera tanto alguma coisa, nunca havia entrado em um avião, nunca havia voado, nunca havia visto o céu azul tão de perto, nunca havia estado tão feliz! Eram muitos “nuncas” para apenas uma pessoa suportar. E tudo aconteceu pela primeira vez, e pela segunda, terceira, até que perdeu as contas de quantas vezes havia feito aquilo. Agora ele contava as estrelas de perto e perdera a conta dos passeios com o pássaro de lata no infinito. Era o início de sua jornada rumo a um futuro incerto e desconhecido, mas ao lado de dois companheiros incansáveis, o avião e o céu azul.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009




A lembrança é minha memória,

O tempo a minha experiência,

E as fotos são as provas!!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Breve olhar


Ali na janela, um olhar sem vida jazia.
Dia ou noite, o pequeno corpo mal se movia.
Pequenino olhar de criança,
Sem luz ou alegria, aquele olhar fixado à janela...
Olhos amendoados que nenhuma esperança via.
Com chuva ou sol, aquele ser ali permanecia.
Nenhum sorriso,
Uma vida sem alegria.
Apenas ficava ali, imóvel, como que aguardando o final do dia,
Alguns breves soluços a pequena alma em vão repelia.
Olhar sem vida, esperando, apenas esperando na janela,
Uma vida sem magia.
Ali a infelicidade reinava,
Como fogos de artifício Luzia.
Na janela branca da casa amarela da esquina,
Um olhar sem vida me via.

Doses e efeitos


Chuva de carnavais,
Como se fossem pingos de confetes,
Com trovões de serpentina.
Dourados sóis incandescentes,
Como pílulas de anfetaminas.
Pequenas molduras nos rostos,
Como pequenas doses de morfina.
Dose sobre dose,
Efeito sobre efeito,
De uma droga sobre a outra,
Nesses olhos de menina.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Uma breve estação



Sigo me afogando num mar de lágrimas
Em plenas ondas de inverno,
Por entre os compassos da minha mente,
Perdida num labirinto de águas gélidas de mares adjacentes,
Icebergs nas beiradas.
Alguns poucos pássaros de invernadas alçam vôo
Contra a correnteza da estação.
Cubos de gelo que bóiam como se fossem corpos florescendo da terra
Como margaridas amarelas no início da primavera ou no meio do verão.
Sombras causadas por nuvens que tapam o sol, desligando a claridade.
A luz do meu dia se vai, escondendo-se por trás dos intermináveis bambuzais.
A lua nasce no manto negro,
Com pequeninas luzes a seu lado, como se fossem delicados enfeites natalinos,
Ou faróis na beira de um cais.
Dois pequenos castiçais acesos,
Dois pequenos punhais imersos nos sais do meu corpo tenso
Devido a outros carnavais intensos.
Palavras que se juntam na folha pautada,
Formando um texto,
Com vírgulas, pontos e entrelinhas que cortam o ar como lâminas afiadas.
No final das contas, são somente algumas frases unidas e mais nada!