segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Breve olhar


Ali na janela, um olhar sem vida jazia.
Dia ou noite, o pequeno corpo mal se movia.
Pequenino olhar de criança,
Sem luz ou alegria, aquele olhar fixado à janela...
Olhos amendoados que nenhuma esperança via.
Com chuva ou sol, aquele ser ali permanecia.
Nenhum sorriso,
Uma vida sem alegria.
Apenas ficava ali, imóvel, como que aguardando o final do dia,
Alguns breves soluços a pequena alma em vão repelia.
Olhar sem vida, esperando, apenas esperando na janela,
Uma vida sem magia.
Ali a infelicidade reinava,
Como fogos de artifício Luzia.
Na janela branca da casa amarela da esquina,
Um olhar sem vida me via.

Doses e efeitos


Chuva de carnavais,
Como se fossem pingos de confetes,
Com trovões de serpentina.
Dourados sóis incandescentes,
Como pílulas de anfetaminas.
Pequenas molduras nos rostos,
Como pequenas doses de morfina.
Dose sobre dose,
Efeito sobre efeito,
De uma droga sobre a outra,
Nesses olhos de menina.